Oi gente!
Para introduzir o assunto de hoje, vou pegar emprestada uma música que especula-se ter sido escrita pelo próprio Lampião:
♫ Olê, Mulher Rendeira,
Olê mulhé rendá
Tu me ensina a fazer renda,
eu te ensino a namorá… ♫
Acho que namorar é fácil de aprender, mas fazer renda? Ui, isso é arte! E no Brasil temos muitas mulheres que sustentam essa arte como um dos nossos grandes patrimônios. As famosas mulheres rendeiras.
Achei essa foto com muito custo (dá para ver pela high quality) de um dos vestidos da Açucena que eu mais gosto. É todo feito de renda, típica do Nordeste, com fios multicoloridos. Ela usou no noivado com Jesuíno, no início da novela, e algumas vezes depois. Lindo, lindo.
Primeiro, acho que é importante fazer uma distinção entre os dois principais tipos de renda: a renda de agulha e a renda de bilro. A primeira é aquela renda mais…tradicional seria a palavra? Acho que sim. É um tipo mais delicado, e a diferença é na execução. Copiando a explicação do Wikipedia “os rendeiros desenham o motivo em papel-pergaminho e fixam-no num fundo de linho encorpado. A renda é executada preenchendo o desenho com pontos caseados. O desenho pode ser preparado separadamente e o fundo acrescentado depois.” Animou de fazer? Não?
Bom, o segundo tipo – a renda de bilro, também chamada renda da terra - é a famosa renda do Nordeste. Mais precisamente, do Ceará, Estado que concentra o maior número de mulheres rendeiras. Recorrendo ao wikipedia mais uma vez, “o seu desenho é executado sobre uma almofada. O rendeiro fixa pequenas cavilhas na almofada ao longo das linhas do desenho e trabalha com muitos bilros (pequenos fusos de madeira furados), por onde passam os fios. Quando a renda está pronta, o rendeiro retira as cavilhas e a renda da almofada”. Agora você pegou, né? Já vai até comprar a almofada amanhã. #AhamClaudia
Pois é, a origem dessa renda é portuguesa, e a técnica já era usada no século XV. Veio para o Brasil na colonização e acabou se tornando um meio de vida para muitas mulheres, que continuam passando o ofício de mãe para filha. Muitas se juntam em cooperativas, vendem para lojas e até exportam.
Tive a oportunidade de conhecer um desses centros das rendeiras próximo a Fortaleza, e fiquei impressionada com o trabalho. Primeiro, porque é lindo e super bem feito. Segundo, porque é muito barato. Todo mundo sabe que em artesanato não se cobra tanto pelo material, mas sim pelo trabalho e tempo despendido. Então fiquei besta com os preços. E indignada, porque tem muita grife por aí comprando a preço de banana no Nordeste e vendendo a peso de ouro aqui no Sudeste. Pelo menos deveriam pagar um preço justo às rendeiras, já que vão ter lucros astronômicos. Ou divulgar a causa, como aconteceu na parceria entre o estilista gente fina Ronaldo Fraga e mulheres rendeiras da Paraíba.
Olha só que simpáticas as artesãs.
Eu em um momento de crise existencial (perceba a expressão de preocupação da pessoa, as contas mentais que se passam pela cabecinha nesse momento crítico). A razão ganhou e a bolsa ficou. Mas comprei o bolerinho colorido da terceira foto e dez porta-copos lindos por apenas R$12. Futuro enxoval, ladies. Uma mulher prevenida vale por duas! haha
Realmente recomendo a todos que vão ao Ceará, especialmente as mocinhas, a dar um jeitinho de ir em uma dessas cooperativas. É muito legal ver a renda sendo feita na sua frente, ao vivo. Mas se estiver complicado, nas próprias cidades há feiras e lojas que vendem os produtos.
Quero aproveitar e deixar um super parabéns para minha querida sis que está do lado de cima do Equador e está fazendo aniversário hoje. Foi com ela que eu fiz essa incursão no reduto das rendeiras. Happy birthday, sis!
Se quiser saber um pouquinho mais, segue um link com algumas informações a mais. E uma Salva de Palmas para todas as mulheres rendeiras, que conservam há tantas gerações uma arte tão bonita e ainda sustentam suas famílias com seu trabalho.
Abraço a todos =)











