Maratona Cordel Encantado: Literatura de Cordel

15 ago

Oi gente!

Os últimos dias foram muito corridos e eu quase desisti de fazer algo que estou planejando há um tempinho: a Maratona Cordel Encantado. Mas recobrei o ânimo e já vou começar a semana a todo vapor. Serão posts de segunda a sexta sobre a novela que me fez voltar a ver novelas!

Para o primeiro post, vamos falar do que está por trás do nome dessa novela: a literatura de cordel. Eu me lembrava de ter estudado um pouquinho sobre isso em uma certa aula de Pesquisa Folclórica, em alguma quinta-feira às 7h, há alguns anos atrás. Mas a essa hora da manhã todas as lembranças produzidas viram um borrão. Então renovei a pesquisa para trazer algumas informações confiáveis para vocês.😉

A nossa literatura de cordel é herança de Portugal, e surgiu no Nordeste brasileiro na segunda metade do século XIX. É um tipo de poema popular, originalmente oral, e depois impresso em folhetos, que eram dependurados em barbantes ou cordéis – daí o nome – e vendidos em feiras. Os temas vão de episódios históricos a lendas, de fatos cotidianos a temas religiosos.  Então você vai achar desde Lampião, o Capitão do Cangaço até O Cavalo que Defecava Dinheiro (pausa para risos).

O interessante é que esses cordéis desempenham uma função super importante como fonte de entretenimento e informação, até porque alguns textos abordam temas como política e educação, e são bem críticos. Além disso, eles divulgam a cultura local e ajudam na disseminação do hábito de leitura, já que também são lidos em sessões públicas (bem sabe o Qui-Qui-Qui).

E falando em leitura, os cordelistas recitam seus versos de forma cadenciosa e melodiosa (e eu que achei que o Qui-Qui-Qui estava só driblando a gagueira), às vezes acompanhados de viola. Podem também simplesmente declamar de forma empolgada e espirituosa para atrair possíveis consumidores. Existem cordéis com diferentes números de estrofes e sílabas (a coisa é professional!). A sextilha, por exemplo, é uma estrofe de seis versos de sete sílabas, e os cantadores costumam usar o baião para recitar. Sente o ritmo:

Quem inventou esse “S”
Com que se escreve saudade
Foi o mesmo que inventou
O “F” da falsidade
E o mesmo que fez o “I”
Da minha infelicidade
 

E se o conteúdo do cordel é interessante, as gravuras da capa são um caso a parte. São as xilogravuras, um tipo de desenho cuja técnica é bem parecida com um carimbo: é feita uma matriz de madeira, e com ela se faz a reprodução no papel. É o tipo de desenho que a gente vê na abertura da novela (bunitin!), e que são bem característicos desses folhetos.

E pesquisando por aí, sabe o que eu descobri? A literatura de cordel é super ampla e bem amparada por organizações super sérias, que zelam pela conservação da arte. Recomendo visitar o site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (tem mais de 40 cordéis disponíveis no site) e um site criado pela Fundação Casa de Rui Barbosa. Ambos são bem completos e legais para navegar.

Mais interessante ainda,  esse cordéis são escritos até o dia de hoje por poetas e cantadores. Os temas são os mais inusitados: A chegada do diabo no bordel do Big Brother (o diabo é uma figura pop por aquelas bandas), Manual da Copa 2006 e A famigerada dança do créu. Checa só a vibe desse último:

Chamar aquilo de dança / chega a ser um sacrilégio / pois dança é uma coisa divina / e dançar é um privilégio / Aquilo é um rebolado / safado e mal acabado / um ato de sortilégio

Apoiadíssimo! hahaha Por último, deixo o Mestre Azulão, que dizem ser um dos maiores cordelistas vivos, recitando uma de suas obras:

Gente, esse tema é super amplo e não dá para falar de tudo em um post só. Mas agora você já sabe um bocadinho de coisa sobre literatura cordel, não é? Então bola para frente, porque amanhã temos outros assuntos legais e novelísticos para comentar.🙂

Abraço a todos =)

2 Respostas to “Maratona Cordel Encantado: Literatura de Cordel”

  1. Ju agosto 25, 2011 às 2:04 am #

    O melhor cordel foi o do Qui-Qui-Qui pro Timóteo, no dia em que invadiram a fazenda. Ah! Era o dia da congada! Isso te lembra alguma coisa?

    • blogdadeia agosto 25, 2011 às 3:33 pm #

      E a lembrança não é boa…
      Esse cordel do QuiQuiQui foi o melhor mesmo. Começou elogiando, e foi ficando tenso….hehehe

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