Um dia de superação na cozinha

8 out

Não existe nada melhor do que chegar ao final de um ano contabilizando algumas conquistas. Sejam elas desejos antigos ou invenções de momento, a sensação de que realizamos algo é o que nos anima a encararmos desafios maiores pela frente.

Não, nós não estamos no final do ano. E ainda não contabilizei minha pretensa maior vitória do ano (estou a caminho!). Mas já consegui um outro feito, coisa que sempre quis fazer mas nunca tinha tido motivação suficiente para encarar: aprender a cozinhar.

Cozinhar é, em primeiro lugar, uma necessidade. Sempre pensei que mais cedo ou mais tarde estaria em alguma situação em que a danada da habilidade culinária fosse necessária. Morar fora, casar, cair em uma ilha deserta…sei lá, quando a gente menos espera podemos ter apenas uma panela e uns três infredientes à mão. O bote salva-vidas do microondas e das marmitas pode não estar sempre disponível, então é bom ter alguma noção básica na manga.

Cozinhar também é uma arte. Fico fascinada assistindo programas de culinária, com aqueles chefes incríveis capazes de transformar galinhas pretas mórbidas em pratos comestíveis dignos de prêmio (vi isso no programa Top Chef, caso esteja achando que estou apenas enfatizando meu argumento). Eles tem uma percepção sobre o quê combina com o quê, fazem milagre com quase nada e nos deixam maravilhados com suas manobras jedi.

Inspirada por essas motivações, decidi lá por  meados do primeiro semestre que queria aprender a cozinhar. Avisei para minha mãe que na próxima segunda-feira (o dia de todos os começos) ela teria uma sous-chef na cozinha. Eu precisava de um nome chique para manter a motivação alta. Acho que funcionou, considerando que já se passaram cinco meses e eu continuo determinada nas minhas panelas. Agora que estamos em uma temporada sem mãe em casa aderimos às marmitas (sou aprendiz de cozinheira, não a Tia Nastácia). Ainda assim, tenho orgulho de dizer que já abri mão de marmita alguns dias para continuar treinando minhas recém adquiridas habilidades culinárias.

Eu estou no nível arroz+feijão+frango+farofa. Por enquanto meu objetivo é fazer “bons básicos”. Até porque se tudo der errado isso já vai ser suficiente para ganhar alguma coisa cozinhando na terra do Tio Sam. A amostra de gringos que tivemos aqui em casa ficou significativamente impressionada com nosso arroz-e-feijão de cada dia. Foi suficiente para criarmos um não-oficial plano B familiar. Se tudo der errado, todo mundo vai para cozinha. Comida dá trabalho, mas dá dinheiro, gente.

Planos malucos à parte, hoje eu resolvi levar meu conhecimento culinário um passo à diante e fazer meu primeiro macarrão com molho branco “à la restaurante italiano” sozinha. Estava sozinha em casa, e achei que era um dia propício para minha empreitada. Porque realmente foi isso. Uma empreitada enfrentada ao som do rádio (obrigatório) e com algumas pontadas de cólica que não passavam nunca.

Eu não sou uma pessoa super rápida. Ou é velocidade, ou é precisão. Então eu vou mais devagar para tudo dar certo no final. Demorei um considerável tempo descascando legumes e picando. Depois picando bacon. Depois colocando macarrão para cozinhar. Nesse ponto coube uma trapaça. Usei macarrão instantâneo. Você acha que eu ia usar macarrão de verdade para cozinhar para uma pessoa só? Sou uma garota do século XXI, querido. Praticidade é meu nome do meio.

Seguindo adiante, fui para as panelas propriamente ditas. Agora não me pergunte como, mas desse momento em diante eu consegui encher a pia de casca de legumes, usar umas 50 colheres diferentes, sub-queimar minha mão com macarrão, meu pé com molho branco, e ainda destruir a embalagem da maizena. A estúpida da maizena. O saquinho de papel veio colado na embalagem por dentro. Na hora de passar para o vidro, a mesa ficou a imagem do caos. E eu tirei a foto.

A pia ficou assim.

Eu juro que ouvi Deus rindo no meio da doidura. Engraçadinho ele. Acho que minha cara de desespero limpando molho branco do meu chinelo devia realmente estar digna de uma foto. Até eu tive que rir.

Entre mortos e feridos, todos se salvaram. O macarrão, o molho, a cozinha, minha mão, meu pé e até a maizena. E o resultado foi esse.

Com direito a damasco e suco de uva acompanhando! Você deve estar se perguntando se ficou bom. Sou perfeccionista, e acho que pesei um pouco na maizena. Mas quer saber? Ficou jóia! Fiz a manobra Ana Maria Braga e passei debaixo da mesa com meu prato. Literalmente.

Quando finalmente me sentei e contemplei o fruto do meu penoso trabalho, Deus não estava mais rindo. Ele estava sorrindo. E batendo palmas. Foi difícil, mas eu não desisti. Eu poderia ter escolhido o caminho mais fácil (tinha comida na geladeira), mas eu quis me desafiar, e venci.

Crescer não é fácil, sabe? Não é à toa que muitas vezes a gente prefere se apegar ao que é velho e conhecido, ao tudo aquilo que é confortável. Mas quem sabe quantas experiências boas a gente não perde por preguiça ou medo de tentar? O caminho mais estreito e difícil nos traz algumas dores de cabeça, frustrações e até umas queimaduras, mas também nos traz as sensações mais incríveis de superação e vitória. Quando olhamos para trás, vemos que estamos melhores do que antes.

Será que vale a pena? Eu acho que sim. Meu resto de macarrão na geladeira concorda comigo. E parece que Deus também.

Abraço a todos =)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: