Trânsito: 7 bilhões de pessoas e zero civilidade

4 nov

Oi gente!

Na semana que a população mundial chega a estimados 7 bilhões, todos paramos para pensar nas implicações desse novo número. Na verdade, cabem sérias reflexões sobre o assunto, principalmente no que diz respeito ao excesso de consumo e desperdício de alguns e absoluta falta de condições básicas para outros.

Mas onde estamos sentindo o impacto desse número mesmo é no trânsito. Como se não bastasse o crescimento populacional, está cada vez mais fácil ter acesso a um carro próprio, o que é ótimo – em partes. Por mais que o transporte coletivo eficiente é um dos símbolos do desenvolvimento, a verdade é que todo mundo gosta de ter seu carrinho, e não culpo ninguém porque eu também acho muito bom ter o meu.

A questão é que a habilidade no trânsito não está aumentando na mesma proporção. Gente, isso é sério. Isso mata. Mata literalmente ou mata de raiva. Aqui na capital do cerrado a coisa é feia. Há algum tempo atrás vi uma cena que me fez pensar no retrocesso que a humanidade está vivenciando em termos de civilidade.

Estava eu tranquilamente no quarto, às 18h de uma sexta-feira movimentada, quando ouço gritos. Eu moro bem no Centro, então estou razoavelmente acostumada a demonstrações públicas – e totalmente impróprias – de desafeto, especialmente no meio de uma madrugada regada a álcool. Mas era um fim de tarde sóbrio e movimentado, e aquilo soou estranho. Fui checar e eis a cena que vi do alto do meu prédio:

Um carro parado no meio da rua. Um pouco à frente, uma moto atravessada na pista e estacionada, bem em cima da faixa de pedestres, estrategicamente bloqueando a passagem do carro, pelo que vim a descobrir. Uma discussão ultra acalorada estava acontecendo. Não deu para entender o contexto, mas parece que a motorista do carro deu uma fechada no cara da moto (que tinha um passageiro) há mais ou menos um quarteirão de distância, ele deve ter reclamado, ela retrucou, a coisa esquentou, e no próximo “PARE” – bem debaixo do meu prédio – eles pararam para tirar satisfação.

Tirar satisfação realmente é um eufemismo. A coisa estava nesse nível:

Ele: – Você é uma siliconada!!

Ela: – Eu tenho dinheiro mesmo!! E você que é um pobre? Eu tenho dó da sua mulher!!

Ele: – Ahh, e você vai para @&*!%!!!!

E a coisa foi daí para baixo. Estou no meio da selva, pensei. Daqui a pouco o Tarzan aparece para nos salvar.

Como se não fosse bastante a desavença no nível verbal, eles quase foram para a luta livre. Houve um momento em que o companheiro do motociclista jogou o capacete no chão – na verdade, ele fez isso várias vezes – e avançou em cima da mulher. Ai meu Deus, cada a polícia que não chega? Sério gente, o que acontece com essas pessoas?

Por fim a mulher entrou no carro, e ficaram todos esperando a polícia chegar. Não sei como foi o desfecho, mas depois que fizeram o B.O. todos fizeram o favor de desocupar a rua, que a essa altura já estava bem congestionada. Fim do show de horrores.

Agora imagine só, uma mulher gritando e xingando que nem uma louca (na verdade, parecia um homem sem educaçã0) e dois homens esquentados e com pouco respeito pelo sexo oposto. Sinceramente, é provável que um deles tenha errado primeiro, mas depois daquela cena ridícula ninguém merecia o título de inocente.

Fica claro que temos pensar muito bem antes de nos sentarmos atrás de um volante. Somos capazes de sermos pelo menos civilizados, mesmo que as outras pessoas não sejam? Porque essa é a questão, não é? Manter o nível quando os outros não mantem.

Não acho isso nem um pouco fácil. Eu me estresso sim e critico os outros conversando comigo mesma (“Bonito amigão!!” ou “Então você comprou a rua e não avisou ninguém, né?!”). Mas em um mundo onde as pessoas perderam o bom senso e a educação, precisamos fazer um esforço extra para segurar a onda e não partir para a ofensiva. Ainda somos seres humanos. E respeito ainda é a única coisa que se pode exigir do próximo.

Se os outros não percebem isso, pelos menos faça sua parte subindo o nível. Como eu já disse aqui, por mais tentador que seja, nunca devemos nivelar por baixo. Acredite, ainda existem pessoas finas por aí.

Abraço a todos =)

2 Respostas to “Trânsito: 7 bilhões de pessoas e zero civilidade”

  1. criadearteoberta Fázio novembro 4, 2011 às 10:38 pm #

    Seu irmão fica loko com tudo isso! hehe E eu sofro bem!😀

    • blogdadeia novembro 4, 2011 às 11:03 pm #

      Pois é, se não cuidar acaba participando de uma cena dessas! Credo. A gente tem que tentar esfriar a cabeça, senão acaba tendo um ataque no meio do trânsito.

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