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Transformando batatas em peras

10 set

Hello people!

Hoje vou dispensar meu habitual discurso de voltei-depois-de-um-longo-inverno que você pode conferir aqui e aqui, e vou direto para o que interessa.

Comprei nessa semana a Revista Seleções (Reader’s Digest Brasil) do mês de agosto, e li uma história que eu AMEI. Aliás, eu adoooro essa revista e recomendo mesmo. É uma das pouquíssimas revistas que eu leio todas as reportagens, o que é um milagre. Quando leio a Veja, por exemplo, eu começo em “Gente”, depois “Veja Essa”, aí vou de trás pra frente e NUNCA chego na começo da revista. Por acaso, é lá que estão as reportagens mais úteis. Ai, que coisa triste (acho que coisas fúteis tem imã! kkk)

Mas voltando ao assunto, como achei a história muito legal (e real, viu?), resolvi compartilhar com vocês aqui. Enjoy!

103340494, Chris Ted /Photodisc98685666, Chaos /Taxi102476763, photo by Thorsten Kraska /Flickr

O dia em que minha mãe transformou batatas em peras

Por Maria Lúcia Palma Latorre

Minha mãe era analfabeta, mas sabia fazer contas como ninguém. Multiplicava os salgadinhos que fazia pelo preço unitário e chegava ao resultado antes mesmo de nós, os filhos, que sabíamos a tabuada de cor. Ela não sabia ler, mas exigia que os filhos só tirassem notas boas na escola.

Era Dia das Mães. Eu tinha 15 anos. Morávamos em uma casinha simples e brilhante no interior do Paraná. Minha mãe havia recebido uma encomenda muito grande de salgadinhos e tinha ganhado um bom dinheiro. Prometera que o almoço desse dia, além daquele frango maravilhoso que ela fazia como ninguém, teria uma sobremesa surpresa.

Estávamos acostumados aos doces de todo dia: de abóbora, de mamão, de cidra… Mas eram doces caseiros, doces que já não tinham a surpresa do sabor. Ficamos imaginando qual seria a surpresa. Um pudim de leite condensado? Morangos com chantilly? Era época de morangos?

Domingo, mesa posta, a família reunida. Esperávamos meu pai, que tinha ido à missa. No ar, uma alegria misturada com o mistério da sobremesa. Meu pai chegou, almoçamos…

“E, mãe, cadê a sobremesa?”

Não havia nada na geladeira, nada que nossas bisbilhotices pudessem ter descoberto! Minha mãe foi até seu quarto e, de dentro do armário, tirou uma caixa de papelão. Dentro, bem escondidas, embrulhadas em um jornal, havia três latas de doces. De doces, como ela supunha que fossem.

“Vejam só, crianças”, disse minha mãe. “Peras em calda!”

Na foto que ilustrava a lata, as batatas eram facilmente confundidas com peras. Minha mãe, que não sabia ler, não poderia imaginar que existisse batata em conserva. E em latas, como as peras e os pêssegos.

Ninguém teve coragem de falar. Minha mãe começou a abrir aquelas latas, feliz e orgulhosa. Despejou o conteúdo em uma travessa e, acho que na excitação do ato, nem percebeu que eram batatas.

Ela começou a servir um por um. Todos quietos, recebendo suas porções sem saber o que dizer. O primeiro começou a comer, seguido por outro, e outro, que seguiu os demais. E, de repente, éramos quatro filhos e um pai comendo batatas como se fossem peras. Minha mãe tinha o hábito de servir os filhos. Ficava andando pela cozinha, só se sentava quando praticamente tínhamos acabado a refeição.

Quando terminamos de comer a sobremesa – juro, juro, que todo mundo comeu toda a sua porção –, minha mãe perguntou: “Estava bom?” Todos responderam que estava ótimo. Sobrou na tigela uma batata. Minha mãe disse que não queria, não gostava de pera. Meu pai, rapidamente, falou: “Vou acabar com esse pedaço, então. Está muito bom!”

Minha mãe morreu em 2006. Nunca soube que serviu batatas de sobremesa. Porque, para nós, o que comemos naquele dia foi a pêra mais saborosa do mundo. Mesmo que não o tenha sido naquele dia, nas nossas lembranças, aquela cumplicidade muda, com que nós, seus filhos, nos comunicamos só com o olhar, transformou a batata azeda na fruta doce.

Que lindo. Gosto de pensar que realmente há muitas coisas lindas acontecendo por aí, entremeadas na nossa rotina. A gente só precisa ter olhos pra ver, e um coração disposto a fazer parte delas.

Abraços e até o próximo post!

Temperamento Controlado pelo Espírito

3 mar

Oi gente…

“Conhece-te a ti mesmo”  – Oráculo de Delfos

Acho essa frase realmente impressionante*. As pessoas, especialmente nos dias de hoje, estão tão preocupadas em conhecer de tudo um pouco que se esquecem de um  princípio super importante: o autoconhecimento. Se conhecer nossas forças e fraquezas fosse algo estimulado desde a nossa infância, com certeza teríamos muito menos problemas.

Pensando nisso, quero comentar sobre um livro totalmente excelente que eu tenho lido, que se chama Temperamento Controlado pelo Espírito, do Tim Lahaye. Gente, esse livro é mara! Sério, o livro já é bem antigo (foi escrito em 1967, e a edição que eu tenho aqui em casa é de 1982), mas o que ele ensina é atemporal, e nesses tempos de superficialidade e futilidades ele acaba sendo uma ferramenta mais do que necessária. Quero comentar, nas próximas semanas, algumas coisas que eu tenho aprendido com o livro. Mas a minha recomendação é que você leia o livro inteiro. Se você me conhecer pessoalmente, eu posso te emprestar (desde que você me garanta que ele vai voltar inteiro e bonitinho…rsrsrs). Você também pode comprar, nesse site o preço está super razoável http://www.submarino.com.br/produto/1/120473?franq=123747  Mas vamos ao livro.

“Não existe nada mais fascinante a respeito do homem do que o seu temperamento! É o temperamento que supre cada ser humano com as qualidades marcantes que o tornam tão individualmente diferente dos seus semelhantes como os diferentes contornos que Deus deu aos flocos de neve. É a força invisível que alicerça a ação humana, uma força que pode destruir um ser humano normal e eficiente, a menos que seja disciplinada e controlada. O temperamento dá ao homem forças e fraquezas.”

Bom, antes de qualquer coisa eu tenho que falar um pouco sobre o princípio mais importante do livro: a intervenção direta do Espírito Santo. Tem pessoas que defendem a idéia que você pode controlar a si mesmo, se realmente se esforçar nesse sentido. Concordo com essa idéia até certo ponto. Acredito que fomos programados para vivermos em intimidade com Deus, e que só somos completos quando cumprimos esse propósito. Existem fraquezas que nós não somos capazes de driblar, nem com muuuita força de vontade. O melhor que a gente acaba fazendo é evitar situações que façam essas fraquezas aflorarem: evitar estresse, injustiça, trânsito, fila, gente chata, noooossa, se você achar um lugar onde não tiver nada disso me avisa! Sério, eu pago bem!

Mas delírios à parte, enquanto a gente não acha a gente tem que aprender a viver em um mundo pra lá de imperfeito. Eis o que o Espírito Santo faz quando entra na sua vida** (dados comprovados empiricamente):

1) Ele te ajuda a se conhecer e  identificar suas forças e fraquezas;

2) Ele estiiiiiica suas qualidades de uma maneira sobrenatural. Ex.: eu sou naturalmente calma, mas em situações de muito estresse e desespero eu tendo a dar uma pirada. O Espírito Santo me ensina a estar calma em qualquer situação, não porque eu me torno um ser iluminado, mas porque ele é um poder sobrenatural que vive em mim. A sensação que eu tenho é que ele me dá uma força super extra na hora que eu mais preciso;

3) Ele te ensina a lidar com suas fraquezas. Ex de novo: eu sou um pouco impaciente. Quando aparece uma situação potencialmente irritante, ele novamente me dá uma força extra me levando a fazer, muitas vezes, o contrário do que eu faria naturalmente. O poder dele, literalmente, se aperfeiçoa na minha fraqueza***. O fato de ele dar essa força não quer dizer que tudo fica fácil, pelo contrário, eu preciso de muuuita força de vontade também pra mudar meus velhos hábitos. Mas é possível. E isso já é mara 🙂

Bom, acho que hoje eu fico por aqui. Vamos devagar e sempre. Ahh, e eu vou continuar falando de filmes, músicas e tudo o mais que eu costumo comentar por aqui. Cabe tudo nesse blog (e já pensou eu ficar mais de duas semanas sem falar de música e filme?! Eu hein…rsrsrsrs)

Abração a todos………………………:)

*apesar de estar geralmente limitada às aulas de filosofia e à música do Skank – sim, Garota Nacional também é cultura

**Lc 11:13

***2 Co 12:9-10/Jo 14:23

Não faça tempestade em copo d’água

11 fev

Olá galera…

Quero começar hoje fazendo algumas divulgações. Não sei se vc notou mas yes, nós temos algumas novidades no Blogroll. Tem o blog do meu amigo Fernando, Amando a Palavra, que está muuuito bacana. O blog do Vitor Amando ao Próximo, que está na net já há um tempo e tem muito conteúdo legal. E por último o blog das minhas amigas Marina e Dani Chega de blá blá blá que está muito fofo e é o mais recente. Passem por lá 🙂

                                                                   nao_faca_tempestade

Hoje vou inaugurar a categoria “Leio e Recomendo” com um capítulo do livro Não faça tempestade em copo d’água, de Richard Carlson. Esse é um daqueles livros tranquilos de ler, leves e super úteis. Em 100 capítulos (a maioria tem no máximo uma página) ele dá dicas bem práticas pra vencer o inimigo onipresente dos humanos no século 21: o estresse. Quando a gente pega pra ler fica meio ansioso e quer ler tudo de uma vez (meio contraditório, eu sei). Maaas pra quem quer realmente aproveitar eu recomendo deixar em algum lugar tranquilo (banheiro??) que te permita ler um capítulo por dia. Ou seja, tome em doses homeopáticas.

Ah! E me façam um favorzinho. Quando o texto fica nessa formatação de citação (abaixo), a letra fica um pouquinho menor. Se tiver ruim de ler, me avisem?  Thank you 🙂

ILUMINE-SE

Nos dias que correm, parece que estamos todos muito sérios. Minha filha mais velha diz com frequência: “Papai, você está com aquele ar sério de novo.” Mesmo aqueles dentre nós que tem um compromisso com a não-seriedade estão provavelmente muito sérios. As pessoas estão frustradas e tensas a respeito de praticamente tudo – chegar cinco minutos atrasadas, esperar por alguém que está cinco minutos atrasado, ficar preso no tráfego, observar alguém a nos olhar torto ou dizendo a coisa errada, pagar contas, esperar em filas, deixar a comida queimar, fazer um erro honesto. O que quer que possa ser mencionado, será algo cuja correta perspectiva podemos perder.

A raiz para a tensão é nossa pouca vontade de aceitar que a vida possa ser diferente, de alguma maneira, das nossas expectativas. Muito simplesmente, queremos as coisas de um jeito, mas elas não são deste tal jeito. A vida é simplesmente como é. Talvez tenha sido Benjamin Franklin quem melhor o expressou: “Nossa perpectiva limitada, nossas esperanças e medos tornam-se nossa medida para a vida, e quando as circunstâncias não se encaixam em nossas idéias, tornam-se nossas dificuldades.” Nós passamos nossas vidas querendo que coisas, pessoas, acontecimentos sejam exatamente como nós desejamos que sejam – e quando eles não são, lutamos e sofremos.

O primeiro passo para a recuperação do estado de super-seriedade é admitir que temos um problema. Você tem que querer mudar, tornar-se uma pessoa mais fácil. Tem que perceber que sua tensão é em grande parte uma criação sua – composta da maneira como você arrumou sua vida e como reage a ela.

O passo seguinte é entender a ligação existente entre suas expectativas e seu nível de frustração. Toda a vez que você espera que uma determinada coisa seja de uma determinada maneira e ela não é, você se aborrece e sofre. Por outro lado, quando abre mão de suas expectativas, quando aceita a vida como ela é, você se liberta. Manter as suas posições é ser sério e tenso. Deixar as coisas rolarem é se iluminar.

Um bom exercício é experimentar abordar um determinado dia sem expectativas. Não espere que as pessoas sejam simpáticas. Se elas não forem, você não ficará surpreso ou incomodado com isso. Se elas forem simpáticas, no entanto, ficará encantado. Não espere que seu dia não tenha problemas. Assim, se os problemas surgirem, diga a si mesmo, “Ah, mais um nó para desatar”.Ao abordar o dia desta maneira, você perceberá como a vida se torna mais leve. Em vez de lutar contra ela, estará dançando com ela. Logo, logo, com a prática, iluminará toda sua vida. E quando você se ilumina, sua vida torna-se muito mais divertida.

Richard Carlson – Não faça Tempestade em Copo d’Água

Pois é gente, o negócio é praticar. Será que eu consigo? Vou tentar amanhã e depois eu conto no que deu. Torçam por mim…rsrsrs

Abração a todos…………………………………:)