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Mulheres Rendeiras

30 ago

Oi gente!

Para introduzir o assunto de hoje, vou pegar emprestada uma música que especula-se ter sido escrita pelo próprio Lampião:

♫ Olê, Mulher Rendeira,
Olê mulhé rendá
Tu me ensina a fazer renda,
eu te ensino a namorá… ♫

Acho que namorar é fácil de aprender, mas fazer renda? Ui, isso é arte! E no Brasil temos muitas mulheres que sustentam essa arte como um dos nossos grandes patrimônios. As famosas mulheres rendeiras.

Achei essa foto com muito custo (dá para ver pela high quality) de um dos vestidos da Açucena que eu mais gosto. É todo feito de renda, típica do Nordeste, com fios multicoloridos. Ela usou no noivado com Jesuíno, no início da novela, e algumas vezes depois. Lindo, lindo.

Primeiro, acho que é importante fazer uma distinção entre os dois principais tipos de renda: a renda de agulha e a renda de bilro. A primeira é aquela renda mais…tradicional seria a palavra? Acho que sim. É um tipo mais delicado, e a diferença é na execução. Copiando a explicação do Wikipedia  “os rendeiros desenham o motivo em papel-pergaminho e fixam-no num fundo de linho encorpado. A renda é executada preenchendo o desenho com pontos caseados. O desenho pode ser preparado separadamente e o fundo acrescentado depois.” Animou de fazer? Não?

Bom, o segundo tipo – a renda de bilro, também chamada renda da terra – é a famosa renda do Nordeste. Mais precisamente, do Ceará, Estado que concentra o maior número de mulheres rendeiras. Recorrendo ao wikipedia mais uma vez, “o seu desenho é executado sobre uma almofada. O rendeiro fixa pequenas cavilhas na almofada ao longo das linhas do desenho e trabalha com muitos bilros (pequenos fusos de madeira furados), por onde passam os fios. Quando a renda está pronta, o rendeiro retira as cavilhas e a renda da almofada”. Agora você pegou, né? Já vai até comprar a almofada amanhã. #AhamClaudia

 Pois é, a origem dessa renda é portuguesa, e a técnica já era usada no século XV. Veio para o Brasil na colonização e acabou se tornando um meio de vida para muitas mulheres, que continuam passando o ofício de mãe para filha. Muitas se juntam em cooperativas, vendem para lojas e até exportam.

Tive a oportunidade de conhecer um desses centros das rendeiras próximo a Fortaleza, e fiquei impressionada com o trabalho. Primeiro, porque é lindo e super bem feito. Segundo, porque é muito barato. Todo mundo sabe que em artesanato não se cobra tanto pelo material, mas sim pelo trabalho e tempo despendido. Então fiquei besta com os preços. E indignada, porque tem muita grife por aí comprando a preço de banana no Nordeste e vendendo a peso de ouro aqui no Sudeste. Pelo menos deveriam pagar um preço justo às rendeiras, já que vão ter lucros astronômicos. Ou divulgar a causa,  como aconteceu na parceria entre o estilista gente fina Ronaldo Fraga e mulheres rendeiras da Paraíba.

Olha só que simpáticas as artesãs.

Eu em um momento de crise existencial (perceba a expressão de preocupação da pessoa, as contas mentais que se passam pela cabecinha nesse momento crítico). A razão ganhou e a bolsa ficou. Mas comprei o bolerinho colorido da terceira foto e dez porta-copos lindos por apenas R$12. Futuro enxoval, ladies. Uma mulher prevenida vale por duas! haha

Realmente recomendo a todos que vão ao Ceará, especialmente as mocinhas, a dar um jeitinho de ir em uma dessas cooperativas. É muito legal ver a renda sendo feita na sua frente, ao vivo. Mas se estiver complicado, nas próprias cidades há feiras e lojas que vendem os produtos.

Quero aproveitar e deixar um super parabéns para minha querida sis que está do lado de cima do Equador e está fazendo aniversário hoje. Foi com ela que eu fiz essa incursão no reduto das rendeiras. Happy birthday, sis!

Se quiser saber um pouquinho mais, segue um link com algumas informações a mais. E uma Salva de Palmas para todas as mulheres rendeiras, que conservam há tantas gerações uma arte tão bonita e ainda sustentam suas famílias com seu trabalho. 🙂

Abraço a todos =)

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O exemplo de Madre Teresa

18 jul

Oi gente!

Começamos a semana com coluna nova: Salva de Palmas. Essa coluna é dedicada a pessoas, ideias, organizações e iniciativas que realmente merecem nosso aplauso. Seja por seus ideais e princípios ou suas ações super inspiradoras, elas se destacam no meio da multidão, se sobressaem em meio ao comodismo e a mediocridade e se tornam exemplos a serem seguidos. Definitivamente merecem ser comentadas por aqui. 🙂

Talvez você não saiba, mas dia 19 de julho é o Dia da Caridade. Sim, eu estou me adiantando. Para você ver meu novo compromisso com a eficiência! haha Mas durante toda a semana o assunto é refletido no mundo, e acho legal pensarmos nisso aqui também.

Caridade, segundo o wikipedia, é um sentimento ou uma ação altruísta de ajudar o próximo sem buscar qualquer tipo de recompensa.

Opa, gosto dessa parte final, porque é o que distingue a caridade pura de outras coisas por aí que chamam de “boas ações”. Caridade é fazer o bem pelo bem, e não para chamar a atenção, melhorar a auto-estima, ficar bem na fita, responder a pressões da sociedade, dar um up na vida após a morte ou comprar uma casinha no céu. Bem disse Jesus que Deus não estava nem um pouco preocupado com o tamanho da esmola. Ele estava preocupado com o tamanho do  amor expressado em cada gota de suor ou cada centavo. Se o bem que você faz não começa realmente no seu coração, pare de trabalhar à toa e reveja seus conceitos. Nas palavras de Paulo:

“E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.”   1 Co 13:3

E se falamos de caridade, lembramos de uma senhorinha muito simpática que foi um belo exemplo de como é possível expressar amor de maneiras bem práticas. Sim, estamos falando da Madre Teresa de Calcutá, essa mulher pequenininha que deixou tantas frases legais e inspiradoras que eu poderia encher esse post com elas.

Madre Teresa se juntou às Irmãs de Loreto (tradução livre – Sisters of Loreto) aos 18 anos, uma comunidade irlandesa de freiras que desenvolvia um trabalho missinário na Índia. Um tempo depois foi enviada ao país para trabalhar como professora e assumir seu chamado como freira. E foi lá que tudo começou. Sabe o que aconteceu? Nada mágico, na verdade. Nenhum anjo apareceu, nenhuma luz brilhou no meio da noite. Ela olhou para fora. Literalmente. Ela olhou para fora das janelas do convento e viu uma Índia mergulhada na pobreza extrema e no sofrimento. Naquele momento ela soube que tinha parte naquilo tudo. Ela estava lá, ela podia fazer algo. E ela ia fazer.

Foi assim que nasceu um trabalho incrível voltado para aqueles que mais precisavam de ajuda: órfãos, mendigos, aidéticos, leprosos, refugiados e qualquer grupo que vivesse à margem da sociedade. Esse trabalho culminou na ordem das Missionárias da Caridade, uma organização premiada que continua o trabalho mesmo depois que Madre Teresa foi-se embora morar com o Criador.

Essa ganhadora do Prêmio Nobel da Paz mostrou que o amor é prático. E deixou claro que o primeiro passo para qualquer pessoa que queira fazer algo relevante é olhar para fora. Se você não ver, seu coração nunca vai sentir, e seu pequeno mundo pessoal será sua única região de influência e interesse. Mas se sair da zona de conforto vai perceber que as necessidades do mundo são muito maiores do que as pessoais.

Madre Teresa era gente como eu e você. Mas deixou o Amor tranbordar por onde passou. Para mim, é uma super inspiração. Alguém que mostrou que é possível sim fazer algo bom. Inspire-se também nela e em uma de suas frases que bem poderia ser uma síntese da sua jornada:

Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.

Abraço e um ótimo começo de semana a todos =)

Mandela: vivendo por uma causa

30 mar

Oi gente!

Nesse último fim de semana eu vi um filme muito bom: Invictos. Sabia muito pouco sobre a vida do Nelson Mandela, e o filme me deu uma noção muito legal.

Para quem não viu, a história do filme é focada em um momento específico na vida do Mandela. Logo que ele assume a presidência da África do Sul, depois de 30 anos de prisão, ele concentra seus esforços em integrar um país dividido pelo apartheid. E usa o rugby, um esporte que praticamente só era apreciado pelos brancos, para atingir seu objetivo.

Eu sei que filme é filme, mas eu curti demaaais o Mandela. Não só por suas sacadas geniais, aproveitando cada oportunidade para integrar o país (enquanto ninguém realmente percebia o que ele estava fazendo), mas porque ele tinha uma coisa em mente: servir uma causa. Acima de seu próprio conforto, acima de seu direito de se vingar, e acima da opinião de todo mundo, ele sabia que existia uma causa. E o ganho que todos teriam compensava o esforço que ele teria.

Na verdade, todos nós servimos a uma causa. Geralmente, a causa somos nós mesmos, o que é normal. A gente empreende nossos esforços para ter uma carreira, uma família, um futuro legal. É o que todo mundo quer.

Mas a gente tem uma admiração profunda por essas pessoas que se engajam em coisas maiores, não é não? Parece que elas fazem parte de uma pequena porção da humanidade que foram destinadas a ser parte de algo realmente importante, do tipo que afeta muitas pessoas.

Eu adoro ler a respeito dessas pessoas, assistir filmes que contem a história delas. Se puder conhecer uma delas ao vivo, melhor ainda. Porque elas me inspiram! Quando eu vejo uma delas eu sinto que ser como elas é não é só legal: é possível. É difícil, é trabalhoso, é até arriscado, mas é possível.

E pensando melhor no assunto, eu acredito que tudo é uma questão de escolha. E não há nada melhor do que isso. Eu não acredito em destino (Deus que me livre de um determinismo que coloca umas poucas pessoas no topo da sociedade, e todo o resto lá embaixo). Acredito sim em propósito de Deus, mas até viver o propósito de Deus é uma escolha. Não tem força sobrenatural ou circunstância que possa tirar do ser humano seu poder de escolha. O próprio Deus começou a história da humanidade mostrando dois caminhos e dando a possibilidade de escolha.

Então olha que legal. A gente pode fazer algo relevante, se a gente realmente quiser. E quando digo relevante, não digo necessariamente ser presidente ou ganhar um Prêmio Nobel da Paz (Obama?!), até porque o número de países é assim…limitado e só tem um prêmio por ano! rsrsrs Seria muito injusto com todos os outros meros mortais….

Mas ser relevante é deixar um impacto positivo duradouro (e até eterno). Seja na nossa família, nos nossos amigos, na nossa cidade, no meio ambiente, ser relevante começa com uma coisa simples: paixão por uma causa. Entre ter uma família unida até proteger a Amazônia, o que não faltam são causas.

Por exemplo, desde que eu conheci a Deus, minha causa é ser cooperadora com ele aqui na terra. Eu entendo que tudo se encaixa quando ele está no lugar certo na vida das pessoas, e que as idéias e os princípios dele são amplos e profundos o suficiente para trazer Solução. Desde problemas familiares até problemas ambientais.

Mas mesmo tendo uma causa boa o suficiente para seguir, eu tenho que querer pagar o preço, não é? E é aí que todo se sente tentado a parar, inclusive eu. Porque tem hora que tudo o que a gente quer é pensar na nossa comodidade, e no tamanho do trabalho que dá! E pior: tem hora que a gente tem que fazer certas escolhas que ninguém entende, confiando que elas vão fazer sentido lá na frente.

E por todas as dificuldades, por todos os desafios e todas as renúncias que uma pessoa que vive por uma causa tem que fazer, deixo aqui minha homenagem ao Mandela. Longe de ser perfeito, mas realmente uma pessoa admirável…

Fica então minha sugestão de filme. Além da história legal, a atuação do Morgan Freeman está excelente. A única coisa que você não vai entender no final do filme é como é que funciona o rugby. Só sei que quando acaba o jogo, todo mundo tá machucado. Aff! rsrsrs

Abração e boa semana……. 🙂